06/10/11

- 06 novembro 2014 -
Um dos melhores dias desta vida que vivi até hoje (que poético, não?!)
Eu nunca fui muito boa no que diz respeito a datas, sempre me esqueço de aniversários de familiares, amigos, datas comemorativas e até a data do meu próprio aniversário que eu deveria saber de cor eu troco quando não esqueço, mas enfim não vim aqui falar disso. Pelo menos hoje não.
Acontece que no último dia 06 de outubro (tô super em sincronia com a data, deu pra perceber né?) completou exatos 3 anos de um dia mágico, (que provavelmente eu não teria me lembrado da data se não fosse o calendário do celular me avisar, sim o calendário me avisa todo ano sobre um evento já ocorrido. Tecnologias...)

Na época eu tinha acabado de terminar o técnico e tinha saído do estágio também, tava de boas em casa quando eu fiquei sabendo que pã pã pã pãm Tears for Fears viria fazer um show aqui no Brasil, em São Paulo, no Credicard Hall, Tears, aqui, eu, Tears, aqui, do lado, em Sampa. Surtei. Juntei todas as moedinhas que ainda me sobraram do estágio e comprei o ingresso, paguei o valor total porque já não era mais estudante, chorei pelo valor, mas tudo o que me importava era ter o passe de ouro para ver a minha salve, salve banda favorita de todos e há muito tempo.

Possivelmente de tudo que me aconteceu nesses meses até a data do show provavelmente a pior coisa foi esperar, como eu não trabalhava nem tinha aulas regulares além do inglês não tinha muita coisa para ocupar a minha cabeça insana a não ser direcionar a minha mente a confabular vários métodos para fazer os dias passarem mais rápidos, de preferência na velocidade da luz.

Daí que o meu desejo por dias de 2 horas jamais foi concretizado e com isso o tempo passou a passos de tartaruga até o dia 06/10/11, mas chegou: glorioso, salve, salve, quase tive um ataque do coração, a ansiedade estava a mil. Faltava pouco agora, era só vestir a minha melhor roupa e partir para Sampa. Longa estrada, perrengues no caminho, achei que não chegaria, trânsito, não sabia onde era o lugar, nos perdemos, mas chegamos sã e salvos por volta das 20hs, PARA, como já diria um professor da facul, eu quase nunca consigo mensurar qual a quantidade de pessoas que compartilham do mesmo gosto, veja bem, de todas as pessoas que eu conheci até hoje, provavelmente duas conheciam Tears for Fears e apenas UMA gostava das músicas, tá certo que eu não sirvo de parâmetro para muita coisa, mas ver a quantidade de pessoas (que não da para contar nos dedos das mãos nem dos pés) que partilham do mesmo gosto que você e perceber que a humanidade ainda tem salvação é lindo. Agora corta, vamos para o show.

Tenho gravado nitidamente na minha mente a abertura do show, provavelmente a melhor abertura de todas: a música de fundo meio de terror, e apesar do ambiente todo escuro ainda sim era possível ver a movimentação do pessoal do suporte fazendo os últimos ajustes no palco, provavelmente o lugar que eu estava não tinha o melhor ângulo de todos (não tinha), mas ainda sim a vista era muito boa.
Não demorou muito tempo para que como num passe de mágica, subissem ao palco Curt e Roland, assim na maior simplicidade, sem frescuras de diva pop, bem gente como a gente. A música antes de terror fora trocada por gritos histéricos de fãs que logo fora silenciado pelo toque inicial (inconfundível) de Everybody wants to rules the world e a cena que mitou o show: Curt cantando de braços abertos, quase um abraço coletivo nos seus fãs, quase um Cristo redentor abençoando seu povo, me emociono até hoje com essa cena. Sim foi surreal.

Antes, durante e depois do show eu era pura histeria, e apesar de quase nunca ligar para o que as pessoas pensam ao meu respeito eu costumo guardar algumas atitudes pouco louváveis apenas para mim, o que claro não foi o caso desse dia, a cada troca de música eu surtava mais um pouco do que já estava, e cantava mais alto e provavelmente mais desafinado também (só para variar), gritava loucamente, filmava e tirava foto, tudo ao mesmo tempo, quase uma faz tudo, só faltou mesmo sair correndo e tentar invadir o palco, tai as minhas gravações de prova e que não mentem, quanto às gravações, eu preciso confessar que eu sinto vergonha e orgulho (tudo ao mesmo tempo) por todas as vezes que eu assisto e escuto aquela voz estridente ao fundo, fora de ritmo, quase uma taquara (eu me odeio por ter estragado quase todas as gravações com a minha voz ao fundo, mas enfim), ainda sim por pior que seja eu ainda tenho o meu relato do dia mais incrível em anos.

O show inteiro foi composto apenas por sucessos, digo, não apenas sucessos, e sim SUCESSOS, preciso citar? Tá então toma: Sowing the seeds of love, mad world, breaking down again, Pale shelter, change, advice for the young at heart, woman in chains e por ai vai, mas com toda certeza o melhor ficou para o final, como se a dancinha do Roland AND simpatia durante o show já não tivessem valido pelo show inteiro, eu preciso falar sobre isso, vocês se importam? Claro que não. Roland é sempre pura simpatia, não que o Curt não seja, mas veja bem, enquanto o Curt é mais fechado, na dele (não discordo) Roland é “dado ao povo” não exatamente nessas palavras nem nesse contexto, mas ele tem mais jogo de cintura com os fãs, digo “jogo de cintura” literalmente, ver o Roland dançando durante as músicas, mesmo que só uma reboladinha foi um momento impagável, além é claro de vê-lo se esforçando para se fazer entender e soltar um “teclaves” no meio da apresentação dos integrantes. Mais um momento impagável do show que eu guardo muito bem guardado na minha memória. Onde é que eu tava mesmo? Ah sim, dizia eu que o melhor ficou para o final e eu não vejo forma melhor do que ver uma legião de fãs cantando em coro a música Shout, Credicard hall inteira foi à loucura, quem estava curtindo sentado se levantou e acenava, gritava o mais alto que podia e cantava da melhor forma que dava: “Shout, shout, let it all out”. Definitivamente um dia inesquecível.


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