Micões

- 30 agosto 2017 -
Durante todos esses anos de vida zueira da faculdade, tenho colecionado alguns bons (e outros não tão bons) perrengues ou também conhecidos como micões, nunca na minha vida tinha tido a brilhante ideia de compartilha-los por aqui ou com qualquer pessoa que seja, daí que né Cacá essa muler maravilhosa me inspirou a escrever também sobre essas pequenas desgraças cotidianas, porque o que seriam desses pequenos dramas, se não fossem compartilhados por ai ♥.

O mico mais recente foi o dia que eu tive que apresentar um projeto solo, porque o meu grupo, bem, o meu grupo sempre foi um caso a parte. Só para conhecimento de causa e melhor entendimento do que vem a seguir: vocês sabiam que o meu ~apelido~ carinhoso na faculdade é desesperada? (e isso diz muita coisa), sou o tipo de pessoa que sempre tem para ontem os trabalhos que os professores pedem hoje. Fim de conhecimento de causa, segue história. Daí que a uma semana da grande apresentação eu já tinha o projeto pronto em mãos, IMPRESSO EM UMA FOLHA A4, na verdade eram só alguns gráficos coloridos e mais um monte de informações desnecessárias MAS AINDA SIM IMPRESSO EM UMA FOLHA A4.

A fim de saber se eu estava no caminho das pedras certo, tirei a dúvida com o professor, que sim confirmou que era aquilo mesmo que ele queria, mas o que eu não esperava (COMO É QUE EU PODERIA IMAGINAR) era ter que APRESENTAR o trabalho sem nem ter estudado antes o que eu ia falar! Para uma pessoa normal, fazer uma apresentação é algo normal (NA VERDADE, PARA QUALQUER SER HUMANO DEVE SER) mas pra eu fazer uma apresentação ou falar em público é algo que certamente não é desse planeta. Logo eu, do alto da minha carteira, sentada no fundão, rodeada de carteiras a fim de me proteger fui chamada a apresentar para sala o que eu tinha feito. SUCESSO.

O caminho até o palco ATÉ O PALCO foi tortuoso devo ter derrubado além do meu óculos de grau, mais algumas porções de coisas alheias, porque eu sou dessas (mas foi tudo sem querer, tá pessoal ♥) assim que eu cheguei ao palco AO PALCO o professor me joga a seguinte responsabilidade frase: Mostre o seu trabalho para a sala, na minha cabeça soou como: mostre simba ao povo.
 CLARAMENTE EU
Daí que eu munida da folha A4 a sacudi de um lado para o outro como aquelas mulheres que apresentam a bolinha sorteada da mega sena (qual é o número sorteado, Ellen?) tudo isso em completo silêncio PORQUE EU SOU DESSAS, achando que alguém estava enxergando algo, achando que as pessoas estavam entendendo algo, porque na minha cabeça isso fazia sentido. AS PESSOAS RIRAM, mas as pessoas riram muito, o professor riu, mas eu não entendi a graça (nessa hora eu só queria sair correndo).
“Não assim”, o professor interveio, “explique para as pessoas o que você fez” (nessa hora eu só queria sair correndo).
Lá vai eu, de novo, COM UMA FOLHA A4 tentando explicar para uma sala GIGANTE o que eu tinha feito, tentando ler as letras na contra luz enquanto mantinha a folha erguida rente ao rosto, as palavras tudo ao contrário, eu falando coisas bem sem nexos, tipo hummm, então aqui ó, é, não tô enxergando nada disso. Tudo errado. No máximo a minha apresentação deve ter demorado uns 30 segundos, 1 minuto e eu já estava tão dura quanto um defunto, talvez até mais, o professor agradeceu e aplaudiu, as pessoas aplaudiram e o mundo explodiu, desci do palco e a única coisa que eu queria era ter feito como o Julius e nunca mais aparecer na faculdade.

No ano passado também nessas vibes de projeto, tivemos que desenvolver alguma coisa usando equações diferenciais, e eu como gosto de ser idiota, creepy diferentona escolhi o tema mais estranho possível: Como determinar o momento exato da morte de um indivíduo usando as tais das equações diferenciais (not kidding) o projeto em si foi  toda uma vibe de envolve defuntos em uma aula de cálculo, em uma faculdade de engenharia, em uma sala cheia de alunos. Tudo certo, porém não. Daí que era necessário apresentar as contas para uma banca de professores e como era necessário apenas uma pessoa para isso, o que fazer com o resto do grupo não é mesmo? A ideia mais mirabolante que alguém poderia ter tido era de que quem fosse apresentar (eu no caso) usasse jaleco, máscara e luvas cirúrgicas (que era para dar uma bosta bossa ao look) e que o resto do grupo se dividissem em perito, bandido e vítima, a cena deveria ser a seguinte: eu começava a apresentação e em um determinado ponto uma pessoa entrava correndo e uma outra com uma arma DE BRINQUEDO atirasse e a vítima teria que morrer DE MENTIRA, daí viria o perito e eu continuaria a partir daí explicar as maravilhas das equações diferenciais. A apresentação deu tudo certo até a parte da encenação, porque a vida meus caros ela é zueira e a zueira, ela never ends.

O menino que deveria entrar calmamente andando pela sala, entrou correndo e o menino que deveria atirar DE BRINCADEIRA entrou gritando, mas fez o seu papel, o problema é que a vítima tropeçou no palco e caiu, mas CAIU DE VERDADE, o tombo  mais bonito que você respeita e ficou lá deitado imóvel no chão representando muito bem o papel de um morto que não deveria estar tão morto e eu não sabia muito bem o que fazer pq o menino não levantou e as pessoas não se importavam e o tempo da apresentação passando e o menino lá no chão e eu estava como:  GENTE, VCS TEM NOÇÃO QUE TEM UMA PESSOA JOGADA AQUI NO CHÃO QUE NÃO ESTÁ SE MEXENDO. Segue apresentação. Fim da apresentação. Sucesso pq tiramos 10 e o menino afinal de contas só teve um galo, de nome sucesso, mas que passa bem.

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